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Somos BBBs diariamente

Por Débora de Oliveira
Publicado em: 15.01.2022 às 03:00

Duvido que, em 21 edições de Big Brother Brasil, alguém não tenha dado uma mínima espiadinha. Até dizem que não gostam, que o programa em nada acrescenta. Mas se pegam opinando sobre algo que aconteceu lá, ou sobre alguém que por lá tenha passado.

Ontem uma hamburguense figurou na lista dos nomes que compõem a edição 22 do programa, e em segundos a vida da guria foi revirada por desconhecidos na Internet tentando saber mais sobre ela antes mesmo de ela mostrar quem realmente é durante o confinamento. Temos pressa em saber quem são os outros pelo nosso olhar sobre eles, e muitas vezes perdemos a chance de conhecê-los de fato. Saber de alguém não é conhecer alguém.

O programa é fenômeno de audiência, marketing, experimento… é inegável, goste você ou não. Mas por quê?! Justamente esse é um dos motivos. Quando um programa tem alcance, e atinge um público em massa, até o que não assiste sabe que existe. E isso é a maior prova de que não é algo que passe despercebido.

Quer ver que, mais dia menos dia, nas rodas de família, no ambiente de trabalho, na academia entre um exercício e outro, na sua timeline da rede social… alguém vai estar falando sobre algo que aconteceu lá dentro e você vai debater junto mesmo não tendo visto porque reconhece o que acontece lá com o que se passa na vida real?

Isso é outro fator determinante para o sucesso do BBB: a identificação. Determinado por pesquisadores em imagem e sociabilidade, que entendem nosso engajamento com o confinamento por entendermos quem o vive como "gente como a gente". E por isso a gente torce, a gente escolhe vilões e mocinhos, toma as dores e vibra com as provas. Por que quem está lá é um pouco do que somos, ou totalmente avesso ao que queremos do outro.

Se fosse só o jogo, em si, eu até brincaria de ficar numa casa com desconhecidos tentando a unificação dos povos, valores, crenças, personalidades, posicionamentos… afinal, o que somos senão aprendizes diários com o outro morando em casas diferentes?!

Mas vejo que a proporção que o programa tomou nos últimos anos, alavancado pelas redes sociais, fez com que compreender a postura de cada um nos confundisse com a busca incessante pela fama, além da vitória. E aí entrou em campo outra polêmica do já tão polêmico reality: será mesmo que podemos acreditar que realmente é assim quem está lá nos tornando próximos e parte da rotina? Sabemos que quanto mais próximo do público, maior a popularidade e portanto maior o sucesso. Que consigamos perceber "aqui de fora" quem realmente é o que joga, ou joga como realmente é.

E por que a gente gosta tanto de cuidar da vida dos outros?! Será aquele momento de alienação, que nos faz esquecer um pouco de nós mesmos e focar em um universo paralelo, bisbilhotando e julgando a forma como as pessoas vivem, convivem, agem, reagem, são vulneráveis e intempestivas, como fazemos diariamente na nossa vida em sociedade?

O ano muda, os debates se reciclam conforme a renovação dos brothers, seus mundos e o mundo atual, e isso renova junto o interesse de quem consolida a audiência.

Que a gente assista aos outros. Mas se assista também. Se perceba individualmente e coletivamente na vida. Afinal de contas, vivemos um show de realidade diário com as pessoas que são parte das nossas relações.

E não se culpe de gostar de espiar. Entretenimento é parte da cultura e da nossa postura como humanos que somos e no constante paredão que vivemos.


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
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