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Opinião Editorial

Pacto pelo Brasil - Movimento mais que necessário

Opinião do ABC

Por Editorial
Publicado em: 11.09.2021 às 03:00

Dois dias depois de atingir o ápice da radicalização nos atos de 7 de Setembro em Brasília e em São Paulo, quando ameaçou descumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro deu um importante passo atrás nesta quinta-feira. Com ajuda do ex-presidente Michel Temer e assessores próximos, Bolsonaro apresentou uma carta à nação com texto moderado e de tom apaziguador.

Disse o presidente que "nunca teve a intenção de agredir quaisquer Poderes" e creditou suas palavras polêmicas do feriado ao "calor do momento". Passou inclusive a defender a harmonia entre os Poderes, indo ao encontro do que deseja a ampla maioria da população.

Seja por recuo tático, para evitar problemas mais sérios com o Judiciário e o Legislativo, para esfriar os protestos marcados para este fim de semana ou, ainda, com o propósito real de reparar um pouco o estrago que causou, Bolsonaro fez um movimento absolutamente bem-vindo, ocasionando uma boa dose de ceticismo. Mesmo assim, a repercussão foi imediata - e positiva.

No mercado financeiro a bolsa fechou em alta e o dólar em queda após dois dias de nervosismo. Nas rodovias, onde caminhoneiros promoviam bloqueios em 15 Estados, o trânsito foi praticamente normalizado em poucas horas. O tensionamento nas estradas pós-feriado trouxe à rotina cenas que marcaram a greve dos caminhoneiros em 2018, com motoristas fazendo fila em posto de gasolina para evitar o desabastecimento. Uma providência negativa e desnecessária, especialmente no momento delicado que o País atravessa.

O movimento de trégua que se iniciou na crise institucional deve servir para que os três Poderes voltem suas atenções para as verdadeiras prioridades do momento. Há uma fila de temas à espera de debate e soluções, a começar pela pandemia e seus reflexos. Embora a vacinação tenha avançado bastante nos últimos três meses e os números de casos e mortes estejam desacelerando, o problema ainda está longe de ser resolvido.

As áreas social e econômica são um mosaico de prioridades. A população precisa de educação de qualidade, saúde sem filas e moradia digna. A renda não pode ser corroída por uma inflação que se aproxima dos dois dígitos no acumulado de 12 meses. Além disso, o brasileiro está sob um crescente risco de apagão de energia. E há ainda as elevadas taxas de desemprego.

As perspectivas para o fim do ano já foram melhores. Cabe ao Poder Executivo fazer a gestão da crise e buscar medidas que podem ou não passar por Legislativo e Judiciário, mas sempre olhando para o que interessa à sociedade.

Crise institucional e ataques aos pilares da democracia não deixam ganhadores, conforme se viu nos últimos dias. E como o País já perdeu demais com a pandemia, a fase agora é de trabalhar pela retomada e não pela estagnação. Que o distensionamento não seja momentâneo e sirva como um pacto pelo Brasil ao longo dos próximos meses. É urgente e necessário.


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