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Opinião Opinião

Discussão também é mobilização

Por Débora de Oliveira
Publicado em: 11.09.2021 às 03:00

Entender o lugar do outro e a opinião do outro não é tarefa fácil nem quando estamos em família. Discordamos das pessoas que mais amamos, repulsamos ideias contrárias de quem temos sentimentos incondicionais, e ficamos de cara amarrada com quem critica nossas posições. No dia seguinte, lá estamos nós, dando risada, nem lembrando mais do que causou o estresse e já se abraçando contando uma novidade qualquer.

Por que então, na vida fora da casa, é tão difícil entendermos que não há unanimidade e que o pensar e o agir do outro, se não se refere a mim, é direito dele mesmo que eu não concorde? Dizem que política, futebol e religião não se discutem. Mas não é questão de discutir e sim agregar, trocar formas de despertar o interesse que promova uma nova realidade. Com educação, sem fazer com que o pensar do outro seja uma forma de dizer que ele não sabe o que diz, sem diminuir quem acredita que seja diferente. Não precisamos concordar com o que o outro pensa, mas ouvi-lo faz parte da construção do que pensamos.

A situação em que vivemos atualmente já não é desesperadora o suficiente para que nossas preocupações se reforcem com rivalidade política que tem afastado pessoas do mesmo sangue, cortado relações com amigos de uma vida inteira, gerando desavenças entre colegas de trabalho, fazendo barulho entre vizinhos? Não basta nossa decepção a cada gestão ao longo dos anos com os eleitores sendo sempre punidos pela guerra de poder que vivemos há décadas?

Falar sobre política e fazer política deve ser papel de roda de conversa e de aprendizado sobre pensamentos contrários. É assim que vamos nos fortalecer enquanto cidadãos e ficar de olhos abertos quanto ao que fazem com nossa confiança, nosso trabalho que vira imposto, nosso consumo que fortalece a economia, nosso comportamento que alimenta possibilidades de enriquecer uma minoria. Sim, NOSSO. Somos cada um que, individualmente, devemos cobrar e nos comportar como um sinal de mudança.

E falo isso para você que faz o trabalhador, que perdeu o emprego, a arcar com os custos abusivos da cesta básica. Que superfatura dos preços do teu produto imprescindível para a população em geral tentando recuperar os lucros que não teve no ano passado. Com você que tem o papel e a caneta na mão para decisões que podem transformar a realidade que é de tamanha desigualdade social e econômica, mas está mais preocupado em não perder o prestígio com quem tem de sobra. E não vou ficar citando todos os "vocês" porque a lista é longa, mas cada um sabe quem é na hora de pensar na sua praia, quando o mar é para todos.

Você vê teus interesses sendo atendidos por quem validou nas urnas? Ou você apenas acredita na figura de uma pessoa que admira e isso já é suficiente para que se sinta representado? Para fazer política não precisa de partido, filiação, alianças, cargo de poder. As nossas próprias atitudes com quem nos é próximo demonstram se o que tanto criticamos de quem possui altos cargos, não é o que também fazemos na nossa roda de convivência.

Se um dia queremos ver lá, algo que nos orgulhe aqui, precisamos ser menos passionais e mais racionais, no sentido de que o raciocínio alheio é também uma forma de eu aprender sobre o que discordo e o que pondero. É essa a discussão, sem precisar discutir.


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