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Presidiários aterrorizam comerciantes com golpe no Vale do Sinos

Caso no bairro São Jorge, em Novo Hamburgo, é mais um que oficialmente não existe porque vítimas preferiram não fazer ocorrência

Por Silvio Milani
Publicado em: 12.05.2022 às 20:55 Última atualização: 13.05.2022 às 09:28

Dono de tele-entrega de bebidas em Novo Hamburgo, o jovem casal foi tomado pelo medo, cancelou todos os pedidos e fechou rapidamente o negócio naquela madrugada. Os comerciantes receberam contatos pelo WhatsApp, em texto e áudio, de presidiário que exigia dinheiro sob ameaça de morte. “Foi aterrorizante”, recorda a proprietária. É mais um caso que oficialmente não existe, porque a vítima preferiu não fazer boletim de ocorrência, em meio a uma explosão de golpes com extorsão no Vale do Sinos. Ela garante que não pagou os bandidos.

No lugar da foto, criminoso usa figura de personagem místico da malandragem
No lugar da foto, criminoso usa figura de personagem místico da malandragem Foto: Reprodução
Demonstrando conhecimento sobre a pequena empresa do bairro São Jorge, o criminoso de Pernambuco mandou áudio, às 2 horas de 31 de março, com argumento de que o dono da tele-entrega tinha denunciado membros de facção à Polícia. Surpreso e assustado, o comerciante respondeu que sequer conhecia a área para passar informações de tráfico. E o bandido ligou. Queria um pix de 300 reais. Ficou quase uma hora fazendo ameaças, enquanto a vítima tentava explicar que não sabia de nada.

Informações

“Meu namorado disse que não ia pagar. Ficamos muito apavorados e fechamos a loja, apesar dos pedidos de clientes em aberto, que tivemos que cancelar. Não conseguimos dormir naquela noite. Qualquer carro que passava na rua era motivo de apreensão”, conta a comerciante. Ela diz que começou a se acalmar quando foi pesquisar na Internet e viu que era golpe. “Daí não fizemos nada. Espero que mais ninguém passe por um susto e desespero desses.” As informações sobre a empresa, segundo ela, foram extraídas da Internet. “Ainda bem que não tinham fotos nossas, para nos amedrontar ainda mais, como fazem com outras vítimas.”


A estratégia dos vigaristas

Os golpistas rastreiam informações de empresas, em sites de buscas, e usam os dados para entrar em contato com elas. Se identificam como membros de facção, o que possivelmente sejam, e usam a estratégia de dizer que a vítima denunciou a organização criminosa. Para evitar vingança, é preciso fazer transferência bancária ou pix.

O valor é estipulado de acordo com a aparente capacidade financeira da empresa. “Serviu como aprendizado para cuidar das informações que colocamos sobre nós e a empresa na Internet, pois está cheio de gente mal intencionada no mundo”, comenta a comerciante hamburguense.

Estrutura na cadeia

Investigações apontam que os golpistas fazem pesquisa e triagem das vítimas de dentro dos presídios. Com internet e celular na cadeia, também mandam mensagens e ligam. A orientação da Polícia é que a vítima, além de não pagar os bandidos, registre ocorrência com todas as informações sobre eles, como número de telefone e dados do possível “laranja” que receberia o pagamento.

Os áudios

O criminoso entra em contato por telefone com código de área 81, de Pernambuco. O sotaque é nordestino. No perfil do WhatsApp, usa a imagem do personagem místico Zé Pelintra, que representa uma espécie de “malandro do bem”. O presidiário trata as vítimas com educação, sem deixar de ser assustador. Foi assim no caso da distribuidora de bebidas de Novo Hamburgo. Apavorado com os áudios, o dono tenta se explicar e depois recebe telefonema do presidiário, não gravado, com novas ameaças.


Golpista: Primeiramente, uma boa noite. Aqui quem fala é o Neguinho. Sô representante do BNC, bonde bala na cara, aliado do comando vermelho.

Golpista: Irmãos de São Jorge e Novo Hamburgo estão apontando a (nome da empresa) e que vocês andaram denunciando o nosso tráfico de drogas aí na região. E atrasa o lado de nossa família. Não estou aqui apenas para ouvir aqueles que estão apontando, mas também quero ouvir suas versões dos fatos. Deixe aqui seu comunicado. Seja claro e transparente.

Vítima: Opa, Neguinho, boa noite, tudo bem? Amigo, a gente não conhece nenhuma boca de fumo em Novo Hamburgo. Não entendi como a gente está denunciando se a gente nem conhece. Espero que tu converse com a pessoa q passou essa informação… porque a pessoa sabe nosso nome, conhece a gente? 

 

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