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Notícias | Região Ensino

Como será o retorno presencial às aulas obrigatório no Estado

RS anuncia que todos os alunos terão que voltar à escola, mas ainda não há data. E caso seja necessário, por estrutura escolar, poderá haver rodízio

Por João Linden
Publicado em: 28.10.2021 às 03:00

Adriano? Presente. Ana? Presente. Bruno? Presente. Em breve as listas de chamada das aulas presencias serão incrementadas em todo o Rio Grande do Sul. Ontem, após reunião do Gabinete de Crise, o governador Eduardo Leite determinou a obrigatoriedade do retorno de todos os estudantes do ensino básico - infantil, fundamental e médio - às salas de aulas.

Rede municipal hamburguense está quase toda presencial
Rede municipal hamburguense está quase toda presencial Foto: João Linden/GES-Especial

"As crianças e adolescentes não estão isolados em casa. Estão interagindo e participando da sociedade. Portanto, não adianta apenas restringir a interação deles na escola. A escola é onde muitos têm acesso à alimentação e onde o processo de aprendizagem é mais efetivo", justificou o governador Eduardo Leite.

Mesmo indo ao encontro do que pregam as redes privada do Estado e do Município de Novo Hamburgo, por exemplo, o Gabinete de Crise ainda deixou a questão "quando o retorno presencial passa a ser obrigatório?" com resposta incompleta. O Estado ainda não determinou uma data, que deve aparecer em decreto a ser publicado nos próximos dias.

Está respondida, contudo, a seguinte equação: como as escolas que não tiveram sua área física ampliada serão capazes de comportar o número de alunos de antes da pandemia somados a um maior distanciamento físico entre eles? Para respeitar aos protocolos sanitários - que não sofreram alterações ontem -, o governo implementará o revezamento de alunos. Os estudantes da rede estadual alternarão os dias em que frequentarão as aulas e assim evitarão as aglomerações.

 

Dupla Gre-Nal também presente

A reunião de ontem também debateu o pedido de Grêmio e Inter para abertura das arquibancadas, sem demarcação de assentos, para as torcidas organizadas.

Esses espaços terão liberação parcial. A equipe de governo entendeu que é possível atender à solicitação dos estádios Beira-Rio e Arena em caráter experimental, nos termos solicitados pelos clubes e respeitando as especificidades destes.

O limite de 30% de ocupação dos estádios - que é o protocolo vigente para competições esportivas com mais de 2,5 mil pessoas - segue sem alteração. A autorização excepcional será informada aos dois clubes e passa a valer de forma imediata.

Sindicato de professores questiona a medida

O Cepers-Sindicato, entidade que representa os mais de 80 mil professores do Estado, se pronunciou sobre a decisão do Gabinete de Crise logo após ela ser anunciada. A classe se posicionou contrária à retomada da obrigatoriedade de aulas 100% presenciais.

"A obrigação do retorno presencial mediante o sucateamento das escolas e a falta de recursos humanos expõe estudantes, educadores, funcionários e comunidade ao risco de contaminação pelo coronavírus", disse a presidente do Cepers, Helenir Aguiar Schürer, por meio de nota.

Um dos principais pontos abordados pelo sindicato diz respeito às condições de "abandono" das estruturas e prédios das escolas públicas. A situação comprometeria o cumprimento dos protocolos sanitários, de acordo com a entidade. "Muros caindo, goteiras, rachaduras nas paredes, fiação elétrica comprometida e falta de pia para a lavagem das mãos. Essas são apenas algumas situações que terão de ser enfrentadas pelos educadores na volta", apontou Helenir.

"O retorno presencial imposto sem nenhuma valorização dos professores e funcionários e a tão necessária melhoria das escolas, que não ocorreu, é no mínimo atitude irresponsável", completou.

Rede privada endossa decisão

Se a decisão do Governo do Estado foi criticada pelos professores, outro sindicato, o do Ensino Privado do Rio Grande Sul (Sinepe/RS), comemorou a medida. O presidente da entidade, Bruno Eizerik, lembrou que a medida atende a uma reivindicação da própria rede privada. "Saudamos a iniciativa do governador, que demonstra a importância que o Estado dá à educação", disse Eizerik.

Para o Sinepe, é seguro esse retorno, uma vez que 100% dos professores e funcionários já receberam a imunização completa contra a Covid-19 e a vacinação tem avançado entre os jovens.

O dirigente lembra ainda a importância do ambiente escolar para os estudantes. "A pandemia demonstrou que é possível aprender em diferentes locais, sem estar necessariamente dentro de uma sala de aula. Mas o espaço de socialização que a escola oferece, essencial para o desenvolvimento socioemocional dos estudantes, não pode ser suprido pela tecnologia. Lugar de aluno é na escola", finalizou o presidente.

Avanços pedagógicos

Em Novo Hamburgo, a decisão estadual não afetará muito a rotina das escolas da rede municipal: atualmente, 89% dos alunos já assistiam às aulas presencialmente. A estatística, apresentada pela secretária de Educação da cidade, Maristela Guasselli, compreende desde os alunos do ensino infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

"Nosso retorno presencial está tendo sucesso. Foi sendo construído aos poucos", ressaltou a titular da Educação hamburguense, que assim também justificou seu endosso à decisão do Gabinete de Crise. "Há momentos em que só se avança pedagogicamente com as aulas presenciais", ressaltou Maristela.

Entre os pais de alunos que já levavam os filhos às aulas presenciais, a obrigatoriedade de 100% de adesão à modalidade é vista com naturalidade.

"Acredito que sim, que é um bom momento para o retorno. Temos de manter as crianças nas escolas. Felizmente os números da pandemia já caíram bastante", opinou a empresária Analu Veiga, 37 anos, mãe da Ana Carolina, aluna do 2º ano da Escola Municipal Ana Néri, no bairro Jardim Mauá.

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