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Notícias | Região Crime organizado

Como grupo de Taquara ajudava a fraudar o auxílio emergencial

Investigação contra golpe em vários Estados começou após denúncia de tiros em sítio de quadrilheiros no Vale do Paranhana

Por Silvio Milani
Publicado em: 04.05.2021 às 07:52 Última atualização: 04.05.2021 às 07:55

Apreensão da Brigada há um ano, em sítio no interior de Taquara, deu início à investigação Foto: Mário Monteiro/BM
Uma denúncia de quadrilheiros brincando de tiro ao alvo no interior de Taquara, em maio do ano passado, resultou em investigação contra grupo que fraudava o auxílio emergencial em todo o País. Quatro foram presos na manhã da última segunda-feira (3) – um em Canoas e três no balneário de Jurerê Internacional, em Florianópolis. Segundo a Polícia Federal, o bando já tinha desviado R$ 2 milhões dos cofres públicos. Para os cadastros e saques, eram usados dados de pessoas que acabavam entrando, sem saber, na lista de beneficiários.

O suposto chefe do esquema é um catarinense até então acima de qualquer suspeita. Estudante de Comunicação Visual em universidade da Grande Florianópolis, foi surpreendido por volta das 7 horas em casa, com dois comparsas, na praia mais ostentosa de Santa Catarina. Especialista m informática, seria o responsável por fazer os cadastros fraudulentos.

Casa em Parobé

Mas o membro da quadrilha que deu origem à operação é um morador de Taquara de 26 anos. Em uma das casas que aluga no Vale do Paranhana, policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão na manhã de ontem. O imóvel fica em bairro não informado de Parobé. Além de estelionato, o homem é suspeito de trabalhar para facção no tráfico de drogas e caça-níqueis. Em liberdade provisória, é conhecido por circular pela região em carros de luxo. Não possui trabalho ou ocupação formal.

 

'Eles tinham muitos CPFs', recorda capitão

Na noite de 28 de maio do ano passado, a Brigada Militar recebeu denúncia de tiros em um sítio no interior de Taquara. O relato era de uma gurizada de facção praticando tiro ao alvo. No caminho à propriedade, os policiais abordaram uma BMW branca com três homens. No carro, havia drogas, dinheiro e uma pistola calibre 9 milímetros. O condutor era o homem que viria a ser investigado por envolvimento na quadrilha de fraude do auxílio emergencial.


A surpresa dos brigadianos veio no sítio. A principal foi de cadernos com dados de moradores de vários Estados. “Eles tinham muitos CPFs ali”, recorda o capitão Gabriel Damásio. Eram mais de mil. “Havia dois indivíduos mexendo em computadores quando chegamos”, acrescenta. Além dos CPFs, o grupo tinha diversas anotações, nomes, endereços de e-mail e senhas com indicação de valores para saques.


O taquarense de 26 anos e cinco supostos comparsas foram presos – três homens, de 18, 19 e 21 anos e duas mulheres, de 19 e 21 anos. Todos já estão soltos.

 

15 computadores e até dinheiro venezuelano

Em meio ao material apreendido no sítio de Taquara há um ano, havia 15 computadores, dois tablets, duas máquinas de cartão de crédito, três celulares, 12 cartões de bancos, 25 porções de maconha, dez comprimidos de ecstasy, munições, duas pistolas e R$ 15,8 mil em dinheiro e 40 notas de 100 bolivares.

A rara moeda estrangeira foi outra surpresa. Não pelo valor, mas porque o dinheiro venezuelano é o mais barato no mundo. Os 4 mil bolivares renderiam 0,0078 reais.

A operação Yandex

O material encontrado no sítio em Taquara evidenciava esquema muito maior que usuários de drogas apaixonados por tiro. “Houve troca de informações, e a Polícia Federal assumiu o caso”, conta o capitão. Após pouco mais de um ano de investigação, a PF deflagrou, na manhã de ontem, a Operação Yandex.


No Rio Grande do Sul, os agentes cumpriram, a partir das 7 horas, um mandado de busca em Parobé e um em Canoas, onde um suspeito foi preso em flagrante arma e droga.

Em Santa Catarina, os mandados foram cumpridos em Palhoça, cidade natal do suposto líder, e na casa dele, em Jurerê internacional, onde também foi preso com arma e droga. Dois comparsas entraram junto no flagrante.

A PF apurou que, após obter CPFs e potenciais beneficiários, os vigaristas criavam e-mails e cadastravam os dados no site da Caixa Econômica Federal.

O dinheiro arrecadado era utilizado, segundo a PF, para pagamento de boletos de compras feitas pela organização criminosa.

Os R$ 2 milhões desviados pela quadrilha, segundo a PF, teriam prejudicado três mil beneficiários pelo País. A maioria é do Rio Grande do Sul, mas já foram identificadas vítimas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Os agentes teriam apreendido R$ 60 mil em dinheiro ontem. O nome da operação é porque os e-mails fraudulentos eram sempre cadastrados com a extensão yandex.com.

A investigação levantou ainda que membros da maior facção criminosa gaúcha, sediada no Vale do Sinos, estariam envolvidos na fraude.

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