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Notícias | Gramado ECONOMIA NA CONTA

Mais de mil construções em Gramado e Canela já possuem captação de energia solar

Corrida para garantir isenção da taxa faz com que empresas registrem aumento pela procura do serviço

Por Nicoli Saft
Publicado em: 05.08.2022 às 03:00 Última atualização: 05.08.2022 às 09:44

Ajudar o meio ambiente e economizar na conta de energia elétrica. Esses são alguns benefícios que mais de mil construções de Gramado e Canela obtém com a energia solar. Eles são divididos entre imóveis residenciais, rurais, comerciais e do poder público, sendo 574 em Gramado e 449 em Canela. Os dados foram obtidos através da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Placas para captação de energia solar ficam localizadas no telhado da casa de Remigio
Placas para captação de energia solar ficam localizadas no telhado da casa de Remigio Foto: Nicoli Saft/GES-ESPECIAL
O repositor de mercado Remigio Brand, de 42 anos, começou a pesquisar sobre energia solar após suas tias, que moram na Alemanha, contarem sobre como funciona por lá. Na Internet, procurou saber sobre como seria colocar as placas fotovoltaicas em sua residência.

Depois das pesquisas, foram então colocados 22 painéis para geração de energia solar no telhado, em um custo de cerca de R$ 30 mil. A instalação foi feita em 2018. Hoje, Remigio tem placas para gerar até mil quilowatts, o suficiente para três residências, segundo ele.

No dia a dia, ele garante que as placas não mudaram em nada a rotina de manutenção da casa. "Eu tinha medo por causa de chuva de pedra, mas nunca prejudicou, a neve também não", comenta. Segundo ele, as placas carregam mesmo em dias nublados, só não conseguem captar tanta energia. Ele consegue acompanhar o rendimento diário das placas através de um aplicativo no celular, que mostra a quantidade de energia gerada e até mesmo o valor em reais.

Em alguns meses, ainda é necessário pagar mais na conta de energia elétrica, devido à falta de sol, mas é possível "guardar" a energia produzida e não consumida e então consumi-la em alguns meses. Segundo Remigio, as contas de luz são compostas muitas vezes apenas por uma taxa mínima e iluminação pública.

As placas que ele colocou possuem garantia de 20 anos. O repositor explica que elas têm uma vida útil, que com o decorrer dos anos acabam "ficando gastas" e a frequência de captação acaba baixando, mas que esse processo demora.

 

Como funciona

Existem duas opções de utilização da energia solar: para aquecimento de água, a partir da energia térmica, e para geração de energia elétrica, através de placas fotovoltaicas. De acordo com o diretor administrativo da Comfort Energia e Climatização, Evair Moura, a energia fotovoltaica funciona a partir de placas solares que transformam a luz do sol diretamente em eletricidade, enquanto os aquecedores solares captam o calor do sol e a transferem para o aquecimento da água.

Crescimento

Segundo Evair, a busca por informações e orçamentos na empresa de Gramado cresceu cerca de 60% nos últimos dois anos. Já a Solar Serra, com sede em Bento Gonçalves, registrou um aumento de mais de 30% em obras, na comparação com os primeiros meses de 2021. Devido à incidência da nova taxa sobre os empreendimentos de sistema solar a partir do início de 2023, a procura pela tecnologia aumentou.

“Está tendo uma corrida ao ouro no setor de energia solar para implementar o sistema ainda este ano”, destaca a gerente de negócios de Energia Solar da Sicredi Pioneira, Júlia Cornelli. Entretanto, mesmo com as facilitações de financiamento fornecidas por bancos e cooperativas, Evair acredita que o crescimento poderia ser ainda maior. “Infelizmente muitas pessoas e empresas sofreram financeiramente com a pandemia e ainda não conseguiram se recuperar”, reflete.

O valor para instalação das placas depende do consumo de energia elétrica do local, podendo variar entre os R$ 5 mil e R$ 50 mil.

Nova taxa a partir de 2023

A Lei Federal 14.300, sancionada em janeiro de 2022, é chamada de Marco Legal da Microgeração e Minigeração Distribuída, ou seja, impõe regras para aqueles que geram a própria energia (o que é chamado de geração distribuída), como é o caso dos sistemas solares. Uma das mudanças que a lei institui é uma taxa sobre o uso do Fio B. Esta parte da conta de luz diz respeito às linhas que transmitem energia da distribuidora até a residência.

A partir de 2023, será cobrada uma tarifa referente à energia injetada na rede elétrica, ou seja, sobre a energia produzida pelo sistema solar e não consumida. Conforme explica Júlia, os projetos homologados antes do dia 6 de janeiro de 2023 não terão que pagar esta taxa até 2045, já os projetos que serão contratados a partir do dia 7 daquele mês terão a incidência da tarifa de uso do Fio B gradativamente ao longo dos anos.

“Isso não quer dizer que a partir de 2023 a energia solar não será atrativa, ao contrário, tendo visto que anualmente temos aumentos expressivos na conta de energia. Nos últimos dois anos a conta de energia aumentou entre 15 e 20%”, destaca a gerente da Sicredi.

Sustentabilidade

Garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável para todos é um dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A energia solar é sustentável por causa da sua matéria, já que a captação de energia elétrica é feita pela luz do sol. O recurso natural pode ser usado de forma abundante e renovável.

“Desde 2018, a Sicredi Pioneira evitou enviar para a atmosfera 700 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2). Os impactos são extremamente positivos no que tange o aspecto econômico, social e ambiental”, destaca Júlia. “Energia solar é ajudar a construir uma comunidade mais sustentável para as próximas gerações”, completa.

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