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Inesquecível

A experiência de quem concluiu o Caminho de Santiago de Compostela

Em 30 dias, Mára Cardoso finalizou o percurso na Espanha. Ela peregrinou por 729km
10/07/2018 11:14 10/07/2018 11:14

Arquivo Pessoal
Mára em Galícia
O desejo de fazer o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, da fotógrafa Mára Cardoso, 52 anos, iniciou há dez anos. A realização deste sonho ocorreu em maio, quando pisou em Pamplona, no dia 14 do mês. A partir dali muitas descobertas pessoais, internas e de vida.

Quando saiu de Gramado, Mára pediu que a amiga Maria Julia Sousa Silva que escrevesse uma carta com algumas intenções, que chegando no início do percurso entregaria a um padre. Porém, quando alcançou seu primeiro destino, o religioso recebeu o documento e disse que a entrega deveria ser feita ao final do Caminho, na cidade Santigo de Compostela. Esse acontecimento foi um dos que deram forças à Mára para, diariamente, peregrinar por cerca de 28 quilômetros.

Ao final, em 14 de junho, ela havia completado o caminho fechando 729 km. O trajeto completo, que soma 800 km, inicia na cidade de Saint-Jean-Pied-de-Port, na França. “Passei um dia em cada lugar, não existe número para o peregrino, o percurso e as descobertas são diárias. Antes de qualquer coisa o caminho é espiritual, e só entende isso quem está nele ou próximo de quem fez”, frisa.

Desafios e experiências vividas

Arquivo Pessoal
Cajados, guia do caminho e concha dos peregrinos
Um dia antes de embarcar para a Europa, Mára recebeu os bastões (foto) e o guia para seguir viagem da amiga Karin Hass. “Foi muito significativo”, lembra. O projeto inicial da gramadense, que embarcou nessa jornada sozinha, era o de fazer 50 km com transporte terrestre, e os restantes a pé. No entanto, as fortes dores nas pernas, coluna, pés e joelhos a fizeram percorrer 75 km de táxi. Junto dela, além das lembranças da família, que a deram muita força para ir firme nesse propósito, a concha que simboliza a sua peregrinação. Todos os caminhantes levam ela pendurada na mochila. “Durante essa jornada nos conectamos com pessoas que estão com o mesmo objetivo que o nosso”, recorda emocionada.

Recompensas de um sonho

O trecho do livro Os oito portais do Caminho, de Ricardo Mendes diz: “O Caminho é uma excelente oportunidade para retomarmos a prática de decisões mais intuitivas, menos racionais. […] Escutar o que o seu coração diz”. Apesar das dores e alguns conflitos emocionais, Mára não desistiu e a cada passo sua realização era maior. Segundo a peregrina, a primeira etapa do percurso parece ser mais técnica. Da cidade de Burgo para frente, o caminho se torna mais humano, mais afetivo. Mas foi de Leon até Santiago que Mára precisou contatar o seu ortopedista, Gustavo Gil. “Eu não poderia falar o que estava sentindo para minha família, era muita dor, por isso precisei refletir e decidir continuar”, conta. Aos poucos os desconfortos foram aliviando. “Cada desafio tem uma linda recompensa, eu não passei trabalho, estava lá por uma decisão minha.”

Cerca de 10 anos em preparação

Arquivo Pessoal
Gramadense se preparou durante 10 anos para viver essa experiência
Mára relata que durante os dez anos que idealizou a peregrinação buscou uma preparação. O projeto era para ter saído dos planos em 2017, mas devido a uma anemia adiou para 2018. Ela contou com a ajuda dos profissionais Flávia Bolognese (psicóloga), Gustavo Gil (ortopedista) e Mário Lopes dos Santos (fisioterapeuta). Durante o percurso, a caminhante enfrentou chuva forte, ventos, frio, sol, teve dúvidas e medo de se perder das sinalizações. “Caminhei por cima da linha da minha vida. Lá encontramos pessoas que nunca vimos, mas que parecem ser como aqueles que são próximos de nós”, revela.

Novas amizades

Arquivo Pessoal
Ao final do percurso, peregrinos brasileiros se encontraram em Santiago para despedida
Além da experiência de vida, Mára lembra que fez amigos brasileiros e de outras nacionalidades. Até hoje, as conversas são constantes e um encontro em solo brasileiro está sendo programado. “Todo mundo se gosta e se cuida nessa jornada. Lá criamos vínculos”, afirma. Ao longo das caminhadas, entre um albergue e outro, as companhias se modificavam, e mesmo sem entender o idioma uns dos outros, a comunicação flui. “Era tão bom quando reencontrávamos os caminhantes que em algum momento nos perdíamos no trajeto. Fazíamos questionamentos uns aos outros. Essa troca de experiência era ótima”, aponta.

O caminho é individual, mas é inevitável não manter contato e isso auxilia os caminhantes, reforça. “Cada um segue no seu ritmo, mas um cuida do próximo e ninguém tem outro interesse por ti”, destaca Mára. Antes de chegar no destino final, a peregrina encontrou Iasko (foto), do Japão, e que mora em Boston. Por algumas vezes elas fizeram o caminho próximas. Ela escreveu o nome de Mára em Japonês, e quer dizer também: força e delicadeza. No trajeto final, ela esteve com a francesa Micheline, que precisou ficar no hospital da cidade para se recuperar de um início de trombose na perna direita.

A felicidade de concretizar o Caminho de Santiago uniu novamente os peregrinos brasileiros que, por algumas vezes, se encontraram durante os mais de 700 quilômetros. Em frente à igreja na Praça Obradoiro (foto ao lado), em Santiago, se reuniram para a despedida e uma foto que simbolizasse a determinação e a amizade do grupo.

Concha: a guia do Caminho

Arquivo Pessoal
Concha sinalizadora do Caminho
Cada peregrino, quando decide fazer o seu caminho, deve seguir as conchas no chão ou as setas durante o percurso. Mára recorda que depois dos 100 km a vontade de caminhar diminuiu, e o desejo de ficar sozinha aumenta. Mas é naquele momento que mais uma força toca nas costas do peregrino. “Santiago quer que a gente chegue mais do que a gente”, conta Mára. A rota feita pela gramadense foi a do Caminho Francês. Todo instante é um momento para refletir, por isso muitas pessoas procuram essa experiência.



A lição da Cruz de Ferro

Arquivo Pessoal
Cruz de Ferro - Santa Colomba de Somoza
Entre Astorga e Foncebadón são 26 km, e nos últimos seis foi muito difícil para Mára, devido a dor que sentia. Após esse trecho existe a Cruz de Ferro. Mára lembra que recebeu incentivo para subir um dos trechos mais difíceis, pelo WhatsApp, dos peregrinos que já estavam lá. Segundo conta a fotógrafa, alguns peregrinos carregam uma pedra e com algumas intenções a deixam no monumento. “Eu sentia dores na canela e no tornozelo e foi lá que deixei elas, me livrei das dores a partir das minhas atitudes. Passei a caminhar com o coração”, relata.




A solidariedade dos albergues

Arquivo Pessoal
Albergue de Granon
Em cada albergue, a solidariedade é mútua. Em alguns, o pernoite, o alimento e o banho eram cobrados. Em outros, a ajuda para fazer a janta ou lavar a louça era bem-vinda. Para a peregrina, essa vivência foi uma experiência valiosa. “Em todos éramos recebidos bem e era onde carimbávamos nossa credencial”, diz. As acomodações paroquiais eram mais estruturadas, mas em outros albergues o banho era frio. Para Mára tudo fazia parte de um aprendizado.

Confira mais imagens dessa viagem inesquecível

  • Gramadense se preparou durante 10 anos para viver essa experiência
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Cajados, guia do caminho e concha dos peregrinos
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Marco dos 100 km, em Ferreiros
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Fonte de água na Plaza Mayor, em Navarrete
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Paróquia de San Tirso de Palas de Rei
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Mára e Iasko
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Nome de Mára escrito por Iasko. Força e delicadeza são outras formas de ler
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Concha na calçada de Carrion
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Ayegui
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Mára em Galícia
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Concha sinalizadora do Caminho
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Cruz de Ferro - Santa Colomba de Somoza
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Albergue de Granon
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Ao final do percurso, peregrinos brasileiros se encontraram em Santiago para despedida
    Foto: Arquivo Pessoal


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