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Gilson Luis da Cunha

As aventuras de um bebê de 14 anos

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 08072018)
08/07/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.gilsonluisdacunha.com.br


Há sequências que demoram três anos. Há sequências que demoram dois anos. Há, até mesmo, aquelas que demoram um ano, pois já estavam programadas com uma trilogia ou série. E há também aquelas pelas quais ninguém pediu, mas são baratas o bastante para serem produzidas. E há aquelas pelas quais todo mundo esperava e que jamais saíram do papel. Claro, também há um grupo mais restrito: o de sequências que demoraram, inexplicavelmente, quase uma eternidade, mesmo com pedidos de fãs fervorosos, mas saíram. Os Incríveis 2, em cartaz nos cinemas, está nesse último grupo.

O filme, novamente dirigido por Brad Bird, dá continuidade as aventuras do Senhor Incrível, da Mulher-Elástica, e de seus filhos, a adolescente Violeta, o pré-adolescente Flecha e o bebê Zezé. O filme original foi produzido em 2004, um ano antes de Batman Begins e quatro anos antes da Marvel iniciar seu universo cinematográfico com Homem de Ferro. Sim, Os X-Men já tinham dado o ar de sua graça e o Quarteto Fantástico estava em produção, mas filmes de super-heróis ainda não eram a febre do momento.

O próprio Brad Bird afirmou na época que Os Incríveis não era um filme de supers, mas sim, um filme sobre uma família onde os pais e os filhos, por acaso, têm superpoderes. O filme original tinha muitas camadas, a começar pela direção de arte e pela trilha sonora que, em muitos momentos, remetiam aos filmes de James Bond dos anos 60. O compositor Michael Giacchino soava como o bom e velho John Barry, especialmente nas cenas da ilha secreta do vilão Síndrome. O filme original termina com o surgimento de um novo vilão surgindo, o Escavador, claramente inspirado no Toupeira, das HQs do Quarteto Fantástico da Marvel. E para por aí.

Foram precisos 14 anos para que uma continuação das mais esperadas da história dos estúdios Disney acontecesse. Nesse meio tempo, Toy Story, o xodó da casa, e muitas animações menores, como Carros, e seu derivado, o esquecível Aviões, tiveram continuações. Mas nada de Os Incríveis 2. Em entrevistas recentes, Bird e sua equipe dizem que já há filmes de super-herói demais e eles não queriam fazer apenas mais um. A mim não convenceram. Algo mais aconteceu. A proposta da animação original nunca foi concorrer com os recentes sucessos de ação, embora ambos os filmes tenham cenas memoráveis. Na verdade, assim como no Universo Cinematográfico Marvel, pode-se dizer que ambos, o original e sua sequência, são um único filme dividido em duas partes, que, por algum motivo, levou 14 anos para ser concluído.

Na sequência, a Mulher Elástica acaba chamando a atenção de um industrial do ramo das telecomunicações e de sua irmã, cuja família tem um passado de colaboração com a comunidade de super-heróis. Ambos acreditam que ela é a nova face do super-heroísmo e que, sob sua liderança, conseguirão formar uma super equipe que os ajudará a anular a proibição governamental aos heróis uniformizados com a maior campanha de relações públicas da história.

É aí que os papéis se invertem, Roberto Pêra, vulgo Senhor Incrível, precisa cuidar da casa e dos filhos, enquanto Helena, também conhecida como Mulher Elástica precisa vestir novamente o uniforme de solteira e voltar a combater o crime. Só que a hora é a pior possível. Violeta, a filha mais velha, passa pelas crises da adolescência. Flecha, o filho do meio, precisa de ajuda com os deveres da escola. E Zezé, o bebê, finalmente, revela seus superpoderes a um estressado pai, em algumas das cenas mais divertidas já criadas para animações da Disney. Mas, como não basta ser pai, tem que participar, o Senhor Incrível aguenta no osso e segue fazendo o impossível para que nem seus filhos nem sua esposa descubram que o pequeno Zezé é um super ser dotado de dezenas de superpoderes que ele não controla. No meio dessa tragicomédia de erros, um novo vilão, o hipnotizador, surge para desafiar os heróis e tentar lançar a civilização no caos.

Essa, em linhas gerais, e sem spoilers, é a trama de Os Incríveis 2, que tem sido acusado de “não inovar” ou “ser mais do mesmo”. Papo furado! O filme é delicioso. Um dos poucos hoje em dia que podem ser assistidos por toda a família sem que ninguém durma no meio. E a ação ficou mais complexa com a entrada em cena de novos personagens, como Void, uma jovem heroína capaz de gerar portais de teletransporte. O casal Incrível continua no auge da forma, Violeta ganha mais destaque em relação ao irmão mais jovem, Lúcio, também conhecido como Gelado, o amigo da família, protagoniza algumas cenas épicas. Edna Moda, talvez o personagem mais cult das animações Disney desse início de século, tem uma participação brilhante.

Mas o filme pertence mesmo ao bebê Zezé. Seus poderes descontrolados hora ajudam, hora atrapalham, criando algumas das situações mais bizarras e divertidas do filme. Brad Bird vem se fazendo de difícil, dizendo que não dirigirá outra sequência e que esse é, provavelmente o fim da franquia. Será? O final abre a porta para infinitas possibilidades. Um salto de alguns anos, ou décadas, mostrando o que foi feito desse mundo em uma nova era de heróis? Uma nova dinâmica familiar, com Violeta e Flecha revelando o ciúme que muitos irmãos mais velhos sentem pelos caçulas? Quem sabe. De minha parte, adoraria ver o Zezé do futuro nos Vingadores. Thanos ia pagar seus pecados com juros e correção monetária. Afinal, a Disney já é dona da Marvel. E, há poucas semanas, comprou também a Fox. Sonhar não custa nada. Vida longa e próspera e que a força esteja com você. Até domingo que vem.


Jornal de Gramado
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